Benedita Alves da Conceição
19 de março de 19382 de maio de 2026· aos 88
Quem semeia carinho colhe memória.
História de vida
Dona Benedita nasceu numa manhã de outono no sertão da Bahia, a mais velha de sete irmãos. Aprendeu cedo que casa se constrói com as mãos e com as palavras: foi costureira, parteira improvisada nas noites em que o médico não chegava, e a voz que puxava as ladainhas no terreiro da capela.
Casou-se com Antônio aos vinte, mudou-se para Feira de Santana e ali criou cinco filhos ao som da máquina Singer que nunca parava. Fazia o melhor beiju da rua e guardava, num pote de vidro sobre a geladeira, bilhetes com os aniversários de cada neto — nenhum jamais esquecido.
Gostava de dizer que a vida é curta demais para café ruim e conversa apressada. Deixou trinta e um netos, catorze bisnetos e a certeza, em quem a conheceu, de que ternura também é uma forma de coragem.
Galeria
Vozes e sons
Linha do tempo
- 1938
Nasce em Ipirá, Bahia
A mais velha de sete irmãos.
- 1958
Casa-se com Antônio
Uma festa de três dias na roça.
- 1961
Muda-se para Feira de Santana
Onde abriu o ateliê de costura.
- 1990
Nasce o primeiro bisneto
O pote de bilhetes começa a encher.
- 2026
Parte em paz, cercada da família
Mural de homenagens
Vó, a senhora me ensinou que ninguém é pobre quando tem histórias pra contar. Sinto sua falta todo dia.
Acompanhei Dona Benedita por trinta anos. A capela era mais quente quando ela cantava. Descanse, filha da fé.
O beiju de domingo nunca mais vai ter o mesmo gosto. Obrigada por tanto, tia Dita.
Local de descanso
Cemitério Parque da Paz
Quadra J, jazigo 214 · Feira de Santana, BA